quarta-feira, 12 de março de 2014

O CUIDADO COM A VIDA - O Aborto é Contra as Mulheres

Fiquei aterrorizado uns dias atrás quando ouvi em uma entrevista a ministra das Mulheres dizer que considera o aborto uma espécie de “libertação das mulheres”, especialmente as mais pobres. Indignado, quero demonstrar por que o aborto é moralmente injustificável, além de desmoronar algumas falácias históricas. O que percebo, de antemão, em pessoas como a senhora ministra é um preconceito anticristão que chega a assustar, uma militância antirreligiosa que aceitaria de bom grado a tarefa de eliminar os católicos e os evangélicos em nome de seu apodrecido progresso social. Por que, então, os fetos não poderiam pagar por isso, não é mesmo? Voltemos a magnífica tese da senhora ministra de que “o aborto é expressão da libertação das mulheres”. Vamos fazer um breve passeio pelos inícios do cristianismo, a fim de verificar esta pérola de afirmativa. Por volta do primeiro e segundo séculos, havia em Roma 131 homens para cada cem mulheres e 140 para cada cem na Itália, na Ásia Menor e na África. Esse número é devido ao infanticídio de meninas e de meninos “deficientes” ser moralmente aceitável e praticado em todas as classes. Com a chegada do cristianismo, Cristo santificou o corpo, fazendo-o bendito, porque morada do Espírito Santo, cuja imortalidade já havia sido declarada pelos gregos. Com Jesus, o ser humano agora independe de qualquer condição ou qualidade prévia para integrar a irmandade universal. As mulheres, por razões muito práticas e culturais de sua época, gostaram. O casamento cristão, que é indissolúvel, tem agora as obrigações do marido semelhantes ao da mulher. A unidade da família era garantida com a proibição do divórcio, do incesto, da infidelidade conjugal, da poligamia e do aborto, a principal causa, então, da morte de mulheres em idade fértil. O discurso e a tese da senhora ministra e do feminismo radical se voltam contra as benditas interdições cristãs que auxiliaram a formar a família, a propagar a fé e a proteger as mulheres da sujeição, vergonha e morte. Nos primórdios do cristianismo, a fé se espalhou nas cidades. Para comprovar isso basta dar uma lidinha no Novo Testamento, principalmente em Atos dos Apóstolos e observar a estratégia do apostolo Paulo em pregar nas grandes cidades conhecidas de sua época. Um caso, contudo, ilustra bem o motivo de tal avanço. Entre 165 e 180 a peste matou no curso de quinze anos praticamente um terço da população do império Romano, incluindo o imperador Marco Aurélio. Outra epidemia, em 251, provavelmente de sarampo, também matou muitos. Contudo, a compaixão, a misericórdia e o amor ao próximo dos cristãos fizeram com que a taxa de sobrevivência entre eles fosse maior que entre os pagãos. O ambiente miserável das cidades, de fato, contribuía para a pregação da fraternidade cristã universal. Não, senhora ministra, o cristianismo, na origem, é a religião da solidariedade e da vida, e não da exclusão como dizem a senhora e seus lacaios. E a interdição do aborto (seria tão bom se estas pessoas fossem estudar um pouco!), conferiu dignidade à mulher e protegeu-a da humilhação e da morte, bem como todos os outros valores que constituem algumas das noções de família que vigoram até hoje. A família que hoje eles chamam pejorativamente de “família burguesa” é, na verdade, na origem, a família cristã, muito antes do desenvolvimento do capitalismo. O que o cristianismo fez, dentre muitas coisas, foi expandir a proteção às mulheres e às crianças. Na China, por razões culturais e econômicas, os casais sob o controle da natalidade têm apenas um filho. Eles optam, então, por um menino e praticam o chamado aborto seletivo: “É menina? Então tira!”. Nesse particular, a China é certamente o paraíso de algumas de nossas feministas e da senhora ministra, e também de muitos dos nossos psicólogos sociais, não é? A prática a que se chama “libertação da mulher” por lá serve para matar mulheres! Daí, a China moderna, de primeiro-mundo, repetir as mesmíssimas brutalidades combatidas pelo cristianismo primitivo. Que desgraça de humanismo vigarista é esse que estabelece as precondições para que uma vida humana possa ser considerada “viável”? Se não querem ver no corpo humano a habitação de Deus, que o considerem, ao menos, a morada do “homem”.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A PRÁTICA DO CUIDADO: A Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37)

A história do bom samaritano, contada por Jesus, é uma das mais famosas e inspiradoras de toda a Escritura. Ela tem sido lida e interpretada de várias formas, demonstrando a riqueza de sua mensagem e aplicação. Além disso, ela também demonstra as três práticas que regem a conduta humana. Vejamos. A primeira prática que rege a conduta humana é a prática do egoísmo criminoso. É a prática do salteador (v 30). É aquela que usurpa o direito e os bens do próximo em benefício próprio. É aquela que procura os seus próprios interesses explorando e roubando o outro. Isso é muito comum e se pratica de muitos modos em nossos dias, quando os recursos são canalizados para o bolso de alguns que se favorecem a custa da dor e do sofrimento dos outros. A segunda prática é a prática do egoísmo comodista. É a prática do sacerdote e do levita (v 31,32). Passaram ao lado do infeliz moribundo, vítima da violência, e o desprezaram. Estes são aqueles que não querem fazer nada em benefício dos outros; não querem sair de suas comodidades. Preferem ignorar os que sofrem, cujas dores não lhes causa nenhum pesar. A terceira prática que rege a conduta humana é a prática do altruísmo sacrificial. É a prática do samaritano (v 33-35). Ele revelou esse sentimento em alto grau na prática do cuidado e do amor sacrificial, sacrificando sua comodidade, seu tempo e seu dinheiro. Estes são aqueles que vivem e trabalham pelo bem da humanidade, expressando em suas mãos o cuidado terno e misericordioso para com os machucados pela vida. Qual dessas três práticas Cristo requer de sua igreja? A resposta provém dEle mesmo: “Vai e procede tu de igual modo do samaritano” (v 37).

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O PASTOR INVISÍVEL COM ROUPAS COMUNS

Ouvi-o esta semana. Soou-me como um pequeno gracejo que me provocou riso: “Os pastores são invisíveis seis dias por semana e incompreensíveis no sétimo”. Não sei quanto à parte do incompreensível, mas o fato é que, de fato, os pastores são invisíveis seis dias por semana. Geralmente o único momento em que as pessoas da igreja nos vêem em ação é quando dirigimos os cultos. Existem algumas outras ocasiões em que realizamos nosso trabalho em público: funerais, casamentos, formaturas. Contudo, quando aconselhamos no gabinete, só a pessoa fica sabendo. Quando visitamos os enfermos, só o doente e sua família ficam sabendo. Quando escrevemos uma carta, só a pessoa que recebe é que fica sabendo. Quando oramos, só Deus sabe. A maior parte das pessoas que pastoreamos tem muita visibilidade no seu trabalho: os professores na sala de aula, homens e mulheres em seus escritórios, policiais em sua corporação, médicos e enfermeiros nos hospitais, funcionários públicos em suas repartições. Não é assim com os pastores. Quando não estamos no santuário, as pessoas a quem pastoreamos nos vêem apenas de forma esporádica. Boa parte do nosso trabalho mais importante é realizado nos bastidores. O que as pessoas vêem no domingo é só a ponta do iceberg. Gostaria de encontrar meios que transmitissem um pouco das invisibilidades que mantém juntas a vida do pastor e igreja, como povo de Deus, quando não estivéssemos visivelmente juntos. Queria, tanto quanto possível, que as pessoas de minha igreja tivessem acesso às “invisibilidades” da minha vida de pastor, nas quais elas também estão envolvidas de certo modo. Queria que eles soubessem o que fiz e faço entre um domingo e outro enquanto orava nominalmente por eles, estudava as Escrituras para traduzi-las na linguagem e nas circunstâncias da vida deles e conduzia-os em atos de adoração que dessem profundidade às suas vidas. Queria encontrar meios para estabelecer uma comunidade que se estendesse por todos os dias da semana em todo o local de trabalho e em toda família, onde o evangelho se infiltrasse poderosamente pelas horas e dias da semana. Enfim, queria que experimentassem minha invisibilidade, tornando-os assim visíveis para a glória de Deus. Toda semana o pastor faz uma jornada bastante curta, mas necessária, do púlpito para o pátio do templo. No púlpito tudo estava bem organizado e equilibrado: as orações, o louvor, a pregação, atos visando criar um encontro com um Deus pessoal. Então, o pastor levanta os braços e impetra a bênção final, testemunhando as bênçãos contínuas durante a semana. Depois, dirige-se ao pátio para se encontrar individualmente com as pessoas. Lá, tudo é bem diferente. O povo, tendo recebido a oração final, faz uma reentrada desordenada em um mundo repleto de casamentos problemáticos, cidades caóticas, tédio da meia-idade, confusões de adolescentes, aflições emocionais, preocupações financeiras. O mesmo pastor que acabou de lidar de forma confiante com as Escrituras de Deus toca mãos tensas pela ansiedade e preocupações diversas do povo de Deus. No pátio, o pastor se encontra, subitamente, em um mundo que, embora diste apenas alguns passos do santuário, não é de adoração calma, não carrega confiança unânime, não é obediente em amor. A gora não se reconhece mais a salvação de forma inequívoca e aberta. No santuário a palavra de Deus organizou a vida na hora do culto. No pátio, os pecados da congregação começam a preencher a agenda para uma semana de visitas, aconselhamentos, orientação e consolo. A transição, às vezes, é abrupta, violenta e difícil. O mesmo que levantou suas mãos em pungente adoração é aquele que aponta o dedo e acusa sem piedade. Contudo, o pastor precisa compreender que cada detalhe da vida de cada pessoa faz parte de uma história mais ampla, maior: a história da salvação. Sem este entendimento, sua jornada, embora curta, do púlpito ao pátio, torna-se dolorosa demais. O trabalho pastoral é aquele que deve pegar a religião pela mão e a levar á vida cotidiana, apresentado-a aos amigos, vizinhos e colegas. É o trabalho que insiste em levá-la aonde ela tem de se misturar com a multidão. Quando não se dá a devida atenção ao trabalho pastoral, a mensagem tende, em certos ambientes, a se transformar em cerimônias de ostentação e, em outros casos, em casulos de emoções pessoais. Daí, ser necessário combinar dois aspectos primordiais do ministério: primeiro, apresentar a palavra eterna e a vontade de Deus e, segundo, encarnar a mensagem no meio do cotidiano local e das pessoas. Se qualquer um desses dois aspectos for desprezado, o ministério será empobrecido. O pastorado começa no púlpito, no batismo, na eucaristia, no altar, no culto. Prossegue no quarto de hospital, na sala de visitas, no gabinete de aconselhamento, nas reuniões de festividades, nos grupos pequenos. O pastor que lidera o povo no culto é companheiro do mesmo povo no período que se estende entre os atos de adoração comunitária. Durante a semana, o pastor tem como tarefa estender as implicações do evangelho da graça de Deus na vida das pessoas, enquanto elas trabalham, amam, sofrem, entristecem-se, brincam, aprendem e crescem em tempos de crise ou bonança. Enfim, ele é aquele que se veste para dirigir a adoração aos domingos com sua vestimenta apropriada à ocasião, mas, fundamentalmente, utiliza-se de roupas comuns na intrincada e exuberante existência humana entre domingos. Todo trabalho do pastor ocorre dentro do cenário da igreja: a comunidade da fé. Ele não deve ser o conselheiro de apenas alguns indivíduos, nem um preletor impessoal que só se dirige a multidões. Ele sim é colocado dentro de uma comunidade com a tarefa de edificá-la. A partir daí, sugestões são apresentadas para que passe a fazer outra coisa. Vou explicar. A igreja, a comunidade da fé, é uma comunidade altamente especializada. Seu caráter é único. Como escreveu Karl Barth: “A comunidade cristã é uma colônia estranha por sua natureza e existência, para os quais não existem analogias no mundo que a cerca”. A igreja não é uma organização que permanece sempre pronta para atender as necessidades de todas as pessoas, à semelhança das associações seculares. Sua existência provém de Deus e ela vive para a glória de Deus, na medida em que se relaciona com Ele em obediência e amor. Contudo, as tentativas, até bem intencionadas, de desviar o foco são inúmeras: os profissionais desejam usá-la como mercado para seus produtos, organizações políticas planejam aliarem-se a ela, burocratas eclesiásticos visam fortalecer seus cargos por meio dela, programas de assistência social querem arrecadar fundos a partir dela, dentre outras. É atribuição do pastor compreender com clareza e firmeza sua própria função, de modo que sejam capazes de discernir entre o que Deus determinou que eles fizessem na igreja e o que os outros lhes pedem para fazer. Além disso, ter a presença de espírito para dizer “sim” e “não” no momento adequado. A edificação da comunidade não consiste em fazer “muitas coisas”, mas em fazer a coisa certa (Lc 10.42). Quanto à sobrevivência, crescimento e sustento de uma comunidade do povo de Deus, tarefa designada aos pastores, o modelo é o servo. Figuras carismáticas são levantadas para desempenhar ministérios especiais, mas são inadequadas como exemplos de prática pastoral. Os pastores precisam escolher o estilo de servo se quiserem crescer e amadurecer em seus ministérios. Há de se repudiar como exemplo os que buscam a promoção e o fascínio. Jesus mesmo enfrentou uma árdua luta com seus discípulos nesta questão, já que procuraram o lugar de honra. Jesus, porém, interrompeu a argumentação deles com as seguintes palavras: “Mas entre vós não é assim; ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo” (Mc 10.42-45). A função do servo se completou em Jesus. Desde seu nascimento até sua cruel morte, tudo nEle falava de serviço: tocou leprosos, lavou os pés dos discípulos, fez amizade com as crianças, encorajou mulheres, submeteu-se à crucificação. Se Jesus é o nosso modelo de liderança, os pastores não têm como se esquivarem de servir. Como Jesus, não enfrentam em alta voz os que preferem injuriá-los, nem argumentam com eles. Prosseguem em seu trabalho com grande bondade e resignação. Não destrói a cana quebrada, o desprezado da sociedade. Não coage os que parecem fáceis de manipular. Servem a todos, mesmo aos mais fracos e inúteis. Não ameaçam. Colocam-se em posição inferior, ou ao lado dos outros. São desconhecidos, entretanto, bem conhecidos. Castigados, porém não mortos. Entristecidos, mas sempre alegres. Pobres, mas enriquecendo a muitos. Nada tendo, mas possuindo tudo...

sábado, 17 de agosto de 2013

O PASTOR INVISÍVEL

Ouvi-o esta semana. Soou-me como um pequeno gracejo que me provocou riso: “Os pastores são invisíveis seis dias por semana e incompreensíveis no sétimo”. Não sei quanto à parte do incompreensível, mas o fato é que, de fato, os pastores são invisíveis seis dias por semana. Geralmente o único momento em que as pessoas da igreja nos veem em ação é quando dirigimos os cultos. Existem algumas outras ocasiões em que realizamos nosso trabalho em público: funerais, casamentos, formaturas. Contudo, quando aconselhamos no gabinete, só a pessoa fica sabendo. Quando visitamos os enfermos, só o doente e sua família ficam sabendo. Quando escrevemos uma carta, só a pessoa que recebe é que fica sabendo. Quando oramos, só Deus sabe. A maior parte das pessoas que pastoreamos tem muita visibilidade no seu trabalho: os professores na sala de aula, homens e mulheres em seus escritórios, policiais em sua corporação, médicos e enfermeiros nos hospitais, funcionários públicos em suas repartições. Não é assim com os pastores. Quando não estamos no santuário, as pessoas a quem pastoreamos nos veem apenas de forma esporádica. Boa parte do nosso trabalho mais importante é realizado nos bastidores. O que as pessoas veem no domingo é só a ponta do iceberg. Gostaria de encontrar meios que transmitissem um pouco das invisibilidades que mantém juntas a vida do pastor e igreja, como povo de Deus, quando não estivéssemos visivelmente juntos. Queria, tanto quanto possível, que as pessoas de minha igreja tivessem acesso às “invisibilidades” da minha vida de pastor, nas quais elas também estão envolvidas de certo modo. Queria que eles soubessem o que fiz e faço entre um domingo e outro enquanto orava nominalmente por eles, estudava as Escrituras para traduzi-las na linguagem e nas circunstâncias da vida deles e conduzia-os em atos de adoração que dessem profundidade às suas vidas. Queria encontrar meios para estabelecer uma comunidade que se estendesse por todos os dias da semana em todo o local de trabalho e em toda família, onde o evangelho se infiltrasse poderosamente pelas horas e dias da semana. Enfim, queria que experimentassem minha invisibilidade, tornando-os assim visíveis para a glória de Deus.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

AS PRIORIDADES DA FAMÍLIA

A família é um projeto de Deus. Foi a primeira instituição divina. E foi criada para a glória de Deus e nossa felicidade. Para que a família experimente esse elevado propósito, necessário se faz que observemos algumas prioridades. Em primeiro lugar, Deus precisa vir antes das pessoas (v 1). Devemos amar a Deus com toda a nossa alma e de toda a nossa força, já nos ensinou Jesus. Devemos buscar em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça. Para ser um discípulo de Jesus é preciso estar disposto a deixar pai e mãe e amá-lo mais do que qualquer outra pessoa, por mais achegada que seja a nós. Deus ocupa o primeiro lugar em nossa vida, ou então, ainda não sabemos o que é segui-lo. O que é importante destacar é que, quanto mais amamos a Deus, mais amamos nossa família e mais fortes ficam nossos relacionamentos interpessoais. A nossa relação com Deus cimenta os demais relacionamentos, colocando-os dentro de uma correta perspectiva. Em segundo lugar, o cônjuge precisa vir antes dos filhos (v 3). Pecam contra o cônjuge e contra os filhos aqueles que colocam os filhos em primeiro plano e o cônjuge em segundo plano. Os cônjuges tornam-se “uma só carne”, indicando sua união, relação e grau de importância na família. Depois do Senhor, o cônjuge é a pessoa mais importante em sua casa. O maior presente que podemos dar aos nossos filhos é amar, com desvelo, o nosso cônjuge. A maior necessidade dos filhos é ver o exemplo dos pais. Não há família saudável onde os relacionamentos estão fora dos trilhos. Investimos nos filhos, quando investimos em nosso casamento. Cuidamos dos filhos, quando priorizamos nosso cônjuge. Em terceiro lugar, os filhos precisam vir antes dos amigos (v 3 b). Precisamos ter discernimento para colocarmos as coisas em ordem de prioridade. Nossos amigos são importantes, mas nossos filhos são mais importantes. Aqueles que não cuidam da sua própria família estão em total descompasso com o projeto de Deus. Não podemos sacrificar nosso relacionamento com os filhos para dar mais atenção aos nossos amigos. Não mais vivemos uma vida de solteiro. Agora temos novas responsabilidades que requerem nosso cuidado e atenção. Nenhum sucesso vale a pena quando o preço a pagar é o sacrifício dos nossos filhos. Os pais precisam entender que seus filhos são prioridade. Precisam investir neles o melhor do seu tempo e o melhor de seus recursos. Precisam criá-los na admoestação e na disciplina do Senhor. Não podem procá-los à ira para quem não fiquem desanimados (Cl 3:21). Em quarto lugar, as pessoas devem vir antes das coisas. Vivemos numa sociedade materialista e consumista. As prioridades estão invertidas. As pessoas se esquecem de Deus, amam as coisas e usam as pessoas. Devemos, ao contrário, adorar a Deus, amar a pessoas e usar as coisas. Quando colocamos coisas no lugar de pessoas tornamo-nos insensíveis e apartamo-nos do projeto de Deus. Há pessoas que, infelizmente, têm mais cuidado com o carro do que com os membros da família. São mais zelosos com seus objetos pessoais do que com os relacionamentos dentro de casa. Amam mais os bens materiais do que os membros da família. Em quinto lugar, o reino de Deus precisa vir antes dos nossos projetos pessoais (v 5). Por diversas vezes, Jerusalém simboliza ora a igreja de Jesus, ora o reino de Deus nas Escrituras. Uma família feliz tem como propósito fundamental a glória de Deus e a construção de seu reino na terra. Temos visto muitos crentes dando para a Deus a sobra dos seus bens, de seus talentos e do seu tempo. São pessoas que só se preocupam com as coisas terrenas. Correm atrás de seus próprios interesses enquanto a obra de Deus fica relegada a um segundo plano. Essas mesmas pessoas, nas palavras do profeta Ageu, semeiam muito e colhem pouco; vestem-se, mas não se aquecem; comem, mas não se satisfazem; e o salário que recebem, colocam-no num saco furado. O pouco que trazem, Deus o assopra, porque não aceita sobras, uma vez que requer primícias. Precisamos buscar em primeiro lugar o reino de Deus. Precisamos investir as primícias da nossa renda na promoção do reino de Deus. Precisamos investir em causas de conseqüências eternas. Nossa felicidade pessoal e familiar alcançará sua plena realização, quando essas prioridades estiverem alinhadas em nossa vida!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A REVERÊNCIA PELA VIDA

Quanto tempo se leva para cortar uma árvore? Uns poucos minutos e tudo está terminado. Mas, para se sentar à sua sombra, muito tempo terá de passar. Terá de haver uma longa espera, e paciência. É sempre assim. Os caminhos da morte e destruição são mais rápidos. Por eles andam os que têm pressa. Já os caminhos da vida são vagarosos. Odiar o inimigo é muito fácil. Mas transformá-lo num amigo é coisa difícil que requer muita coragem. Acontece que creio em Deus, e Deus é vida generosa e mansa, presente em tudo que vive. Daí, podemos olhar para os fragmentos de bondade, quando todos olham para as evidências da maldade. Enganamo-nos confundindo as pessoas os seus atos. Ninguém é idêntico àquilo que faz. É isso que nos permite odiar o pecado e amar o pecador. Meu pai, chorando, com minha confissão nas mãos, deve ter odiado as coisas indignas que fiz. Mas ele me amou como nunca... Como no filho pródigo, o sofrimento prepara a alma para a visão de coisas novas. Sofrendo, os olhos ficam diferentes. E, coisa interessante: quanto mais próximos da humilhação nos encontramos, tanto mais perto de Deus nos sentimos. Como se fosse ali, onde a vida aparece desarmada e indefesa, nada tendo em suas mãos além do desejo de prosseguir, que ela viceja mais bela. Aliás, a vida para ser bela, deve estar cercada de Verdade, de bondade, de liberdade. Estas são coisas pelas quais vale a pena viver e morrer.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

POR QUE ME IMPORTAR COM A IGREJA?

Na confusa e apressada sociedade contemporânea, a preocupação com a igreja tornou-se um artigo de luxo. Não é raro observar uma grande contingência de pessoas que se importam com o trabalho, dinheiro, filhos, carreira, emprego, salário, família, estudos, dentre outras coisas mais. Não me compreendam mal, não estou querendo dizer que é errado se importar com estas coisas. Todas as pessoas se importam. A razão de minha preocupação é a ausência da importância que a igreja tem na vida de muitos que se dizem cristãos. A questão, portanto, é: por que eu não me importo com a igreja como eu me importo com todas as outras coisas de minha vida? Por que, para muitos, a preocupação e a importância da igreja é tão marginal? Mas, enfim, por que se importar com a igreja? Primeiro, porque é o propósito fundamental de Deus. O projeto de Deus sempre foi formar um povo que seja seu, para servi-Lo e adorá-Lo. A igreja é o sonho fundamental de Deus cumprido em Jesus Cristo. Ele se deu pela sua igreja, ressuscitou por ela e voltará para ela. Por que não deveríamos nos importar com aquilo que mais importa a Deus? Segundo, devemos nos importar com a igreja porque ela é a materialização do amor de Deus na terra. A igreja é o “Corpo de Cristo”. Somos os braços, as mãos, os pés, a boca de Deus na terra. É na igreja que o perdido é salvo, o sujo é limpo, a caído é levantado, o ferido é curado, o desanimado é fortalecido, o faminto é alimentado, o nu é vestido, o forasteiro é acolhido. A igreja é a face amorosa de Deus perante o mundo. Será, então, que não deveríamos nos importar mais com ela? Terceiro, devemos nos importar mais com a igreja porque ela nos fornece o verdadeiro alimento. É na igreja que estão “os tronos de justiça” (Sl 122.4), a luz da palavra de Deus. Ela é o nosso verdadeiro alimento. É ela quem nos mantém de pé quando todas as seguranças terrenas se esvaem. Quando o diabo ofereceu o pão material a Jesus no deserto Ele o recusou. Ele tinha outro alimento mais sublime e valoroso: a palavra de Deus. Sempre que deixamos de ir à igreja ou nos importamos pouco com ela, descobrimos que somos nós quem sofre. Nossa fé fraqueja e a casca rabugenta de falta de amor cresce ao nosso redor. Em vez de calorosos, tornamo-nos mais frios. Em vez de melhores, tornamo-nos piores. Nós, seres humanos, causamos com freqüência grande dor para Deus. No entanto, Deus permanece apaixonadamente envolvido conosco. Não deveria ter eu essa mesma atitude para com a igreja que me cerca?